Newland Archer está condenado a viver pela existência de forma triste e prisioneira. Caminhará para sempre se esgueirando nos corredores estreitos, esmagando-se nos salões de festas e evitando os olhares inquisidores — intencionais ou não — daqueles que conversam com ele. Newland Archer não é apenas uma vítima de um amor proibido, platônico, que não pode existir. Não, ele é muito mais. Newland Archer é uma vítima do seu tempo.
A Época da Inocência é o único trabalho (ao lado do genial segmento “Life Lessons” de Contos de Nova York) de Scorsese que fala francamente sobre o amor, mas não precisamos de outro. Em outros filmes — Caminhos Perigosos, Depois de Horas e o próprio Taxi Driver —, o amor malfadado ou impossível era simplesmente e uma consequência de atos alheios a este sentimento. Aqui é o oposto: É a vontade carnal, arrebatadora e devastadora e possuir outro ser humano para amar e proteger que vai destruir a vida do Newland Archer de Daniel Day-Lewis e da condessa Ellen Olenska de Michele Pfeiffer.
Há certo quê de adolescência nos arredores da dupla protagonista. Acho que não é por acaso. Tanto Ellen quanto Newland são duas pessoas que se arrastam lamentavelmente pelos meandros, brechas e portas do código social invisível — porém onipresente; onipotente e onisciente — que regem a vida social da Nova York da década de 1870. Antes mesmo de serem apresentados pela primeira vez no filme, a câmera de Scorsese — esse organismo sempre vivo e de vontade própria — nos deixa claro que eles odeiam a vida que levam. O que torna tudo ainda mais trágico quando percebemos que Newland e Ellen foram feitos um para o outro: Odeiam esse tal Código de força implacável e querem mudar a vida ao redor, como adolescentes encantados pela ideia de mudar o mundo. E isso é lindo e comovente, mas — como nos piores acontecimentos da vida —, Ellen e Newland chegaram à vida um do outro cinco minutos depois do momento certo ter acabado. Continuar lendo








