Submarine (Richard Ayoade, 2010)

5/5

O adolescente Oliver Tate (Craig Roberts) não é muito diferente de mim. De certa maneira, ele não é muito diferente de qualquer outro adolescente no mundo – ou de qualquer outro adulto com carência emocional. De qualquer jeito, prefiro acreditar que nem todo mundo é como eu. Logo, assistir as aventuras e desventuras amorosas, familiares e emocionais deste garoto é como se olhar no espelho.

Tate é um garoto singular, de raciocínio extremamente lúcido, claro e complexo. Ele é pensativo e observador, o que o leva a ter um conhecimento singular sobre a lógica humana. Conhece as atitudes de cada um dos que habitam a fauna docente e discente de seu colégio (que, pelos uniformes, soa ser um importante colégio particular da região onde mora). Portanto, um garoto de não mais que quinze anos com este comportamento só pode ser extremamente sozinho e solitário – e Oliver reconhece para si mesmo que prefere a sua própria companhia, o que é explicitado pelo filme quando é surpreendido pelo seu amigo Chips (Darren Evans) a “precisamente oitocentos metros da escola”. E essa cena, que poderia ser trivial para os mais desatentos (já que aqui acontece uma conversa sobre nada entre os dois), torna-se um interessante ponto de comparação quando a mesma coisa acontece entre Oliver e sua namorada, Jordana Bevan (Yasmin Paige) – e a reação de Oliver é totalmente diferente.

O fato é que Oliver Tate é um garoto depressivo, e necessita desesperadamente de atenção. E é aí onde a mágica do filme acontece. Richard Ayoade mostra-se um diretor bastante sensível a condição de Oliver – o que torna sua pequena obra ainda mais relevante. Vejamos, Ayoade não tem experiência alguma com direção. Na verdade, sua fama, ao menos na Inglaterra, vem do fato de ser a estrela da hilária série The IT Cowrd, onde interpreta o über-nerd Moss (se você acompanha The IT Cowrd perceberá que Moss é apenas uma variação de Oliver). Continuar lendo