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Nota do editor: Este é o segundo texto de Victor Ramos para DRIVE. O primeiro, que trazia uma opinião negativa, pode ser lido aqui.
Há uma pequena peça no interior de Drive que, independentemente de seu tamanho, modifica o trivial que corre dentro das veias da estrutura do filme que o reveste: transformando em algo diferente o que já foi contado inúmeras vezes pelo gênero Ação, o presente que nos é dado é nada mais nada menos que uma obra-prima construída a partir dos restos mortais de antepassados – ou clichês formados por filmes passados, como preferirem. Esta obra do Nicolas Winding Refn cai bem no contexto da frase “Nada se cria, tudo se Transforma”, provando – mais uma vez – que o que mais importa em um trabalho artístico é a marca do autor, independentemente se os temas abordados já foram dissecados ou não. Mas é aí que reside o sucesso de Drive: é na forma peculiar de sua abordagem que consegue driblar o feijão com arroz.
Convenhamos, feijão com arroz é uma delícia; caso contrário, não seria um dos pratos mais tradicionais do Brasil. Porém, independentemente dos vegetais utilizados para o preparo do prato, o que dá o gosto é o tempero. O tempero é a alma da saborosa comida. Com o cinema (bem como toda arte) não muda. Muitas pessoas se prendem ao conceito falho de que ainda existe a possibilidade de contar histórias originais; mas, como já deixei claro, este conceito é falho. É praticamente impossível o cinema conseguir revelar algo totalmente inédito após pouco mais de cem anos de sua existência; aliás, se olharmos para o passado, época em que a sétima arte ainda era um “embrião”, perceberemos que o que estava sendo filmado era reflexo do que as antecessoras artes deixaram no tempo. A literatura, só para começar, existe desde que o homem se conhece por gente; o mesmo caso ocorre com o teatro, etc. Continuar lendo
