Brown Bunny (Vincent Gallo, 2003)

2/5

Bud Clay monta em sua motocicleta e voa em círculos, círculos, círculos na pista de um autódromo, mas nunca chega em primeiro. Depois, ele se lamenta, esfrega as mãos nos olhos, bota sua motocicleta dentro do furgão e vai comprar alguma coisa que custa dois dólares. No processo, ele conhece essa jovem, chamada Violet. Há um close no rosto de Vincent Gallo, que interpreta Clay. Nós vemos os profundos olhos azuis do ator (que também é o operador de câmera, montador, fotógrafo, produtor, roteirista e diretor do filme — e ainda tem gente reclamando do Shyamalan, como se houvesse algo de errado em assumir várias funções num filme). Claro que como Bud Clay é uma figura atormentada pelo seu passado, vítima de um peso enorme de culpa e com a psique perturbada, ele fala baixo e caminha curvado. Os olhos azuis auxiliam a garota a tomar a irresponsável atitude de sair de onde está, atravessar os Estados Unidos no banco do carona e chegar até a Califórnia.

Entretanto, cinco minutos depois, enquanto Violet arruma as malas, Bud foge.

É claro que Brown Bunny é um desses filmes que revisam o mito do herói americano — um desses exercícios de “subversão” do macho-alfa do cinema. Há carros e motos, há lojinhas de conveniência e há muitas prostitutas — mas, por contraponto, ele não bebe. Não toma “uma gota de álcool”. Mas tudo é de uma pureza — Vincent Gallo criou um mundo para o seu alterego (porque é um alterego, Gallo deixou isso claro) em que não existe sujeira nas ruas e nem outras pessoas senão as que topam pelo caminho de Clay. É um filme de egocentrismo incrível. É claro que, tratando-se de um filme “de arte” (mas que expressão mais pretensiosa!), poderíamos dizer que aí está um experimento em que Clay só enxerga aquilo que quer ver e blábláblá, mas só que não. Dizer isso seria dizer que Brown Bunny toca dentro de um universo fantasioso, mas não é. A mise en scène de Brown Bunny não poderia querer ser mais realista. Querer. Observe que Gallo dispensa até mesmo um desenhista de produção e de roupas — ele quer mesclar a ficção da sua história e a realidade, mas não é competente suficiente para fazer isso. A realidade do cinema morre no exato momento em que você orquestra um enquadramento como se fosse fotografar uma daquelas casinhas de boneca. Autoindulgência plástica e realidade visceral não combinam — e quando você deseja fazer um retrato de um homem que vive em hotéis, bares e oficinas mecânicas, não dá pra fazer isso sendo bonitinho. Continuar lendo

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (Christopher Nolan, 2012)

“When the spoilers start to fall Then the strongest rules it all”.

1/5

Eu não me lembro muito bem de como eu consegui fazer tal proeza — mas eu sei que consegui. O ano era 2008 e antes de chegar ao lobby do shopping — o lobby do cinema, na verdade — eu tinha me esquecido quase que completamente do que havia acabado de ver nas duas horas e 30 anteriores: Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008).

Eu tinha planejado rever ao menos os dois filmes anteriores da trilogia dirigida por Christopher Nolan. Não porque eu goste dos filmes (tenho certa predileção por Batman Begins e chego a acreditar que é a melhor coisa que Nolan já fez), mas sim para me lembrar do que a trilogia fala.

Begins eu ainda consegui rever pela metade na TV, Cavaleiro das Trevas não.

Não ter revisto o segundo filme da franquia me deixou preocupado — será se eu vou conseguir entender o filme? Sim, é um filme de Christopher Nolan, o que significa que tudo será mastigadinho e triturado no liquidificador para o público, mas ainda assim é preocupante (e eu aposto que se algum nolanrólotra ler este texto usará a frase anterior como contra-argumento).

Bom, qualquer preocupação que eu pudesse ter foi imediatamente dopada; amansada e exterminada logo na primeira metade do primeiro ato. Eu costumo dizer que quem assistiu a Waking Life (idem, 2001) e não entendeu o filme só precisa ver A Origem (Inception, 2010). Aliás, A Origem é um filme que deveria ser queimado em praça pública: Tem a oportunidade ser algo grande, um filme para as eras — um diretor que teve a ousadia de pegar o dinheiro de um estúdio grande e semear intelectualidade e filosofia nas mentes dos espectadores do verão norte-americano. Mas não; Nolan é covarde demais para isso. Prefere construir toda a “atmosfera” dos sonhos e daí explicar tudo sem mais delongas.

O fascinante é que ainda assim as pessoas conseguem discutir sobre A Origem. O peão continua girando ao final? Grandes coisas. Você despreza Uma Odisseia no Espaço e ama A Origem. Você é um bebê.

E chegamos a O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

Mesmo que eu tenha dito o que eu disse acima sobre o filme de Nolan estrelado por Di Caprio, ainda assim eu preciso reconhecer que A Origem é, no mínimo, corajoso: Lida com sonhos e tenta (tenta) ser ambíguo. Se ele explica tudo ao final é secundário, olhando por esse ponto — o espectador médio passa por isso despercebido; ao ser explicado das coisas que não consegue entender, mas que “pegou no ar” nos momentos anteriores, ele fica feliz e satisfeito com seu próprio poder de observação. Isso é um fato. Continuar lendo

Michael Cimino

UPDATE 07/12/12, 21:31 - Michael Cimino criou uma conta agora pela manhã no Twitter – e recomendo que sigam. Só nas primeiras 12 horas ele revelou que escreveu um argumento (não utilizad0) para O Império Contra-Ataca e que a sua versão de Footloose seria estrelada por Christopher Walken e inspirada em John Steinbeck.

A história de Michael Cimino se confunde com o fim da Nova Hollywood. Toda a busca por independência, autoridade, paixão pelo cinema e pelo “fazer nós mesmos, pois somos os donos” que diretores como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Dennis Hopper e Robert Altman (e outros, claro) se empenharam em fazer no fim dos anos sessenta e início dos anos setenta foi jogado ribanceira abaixo por este homem que, como descrito numa entrevista a Steve Garbarino, da Vanity Fair, pode se passar por um rockstar andrógino.

Mas o fato é que se Cimino fosse de fato um andrógino, ninguém deveria ficar surpreso — esta especulação já foi feita, e negada por Cimino. No final da década de noventa, muito depois do cineasta ter fechado o último corte de seu Na Trilha do Sol (Sunchaser, 1994), um filme que permanece desconhecido e praticamente inacessível, mesmo com o advento da Internet como grande mídia atual, surgiu um rumor que Michael pudesse ser um travesti pré-operado. Após anos sem conceder entrevistas, ele foi a público e negou as acusações, pegando o lançamento de seu primeiro livro, Big Jane, como justificativa para sair da caverna.

Numa entrevista ao Independent, Cimino citou uma conversa que teve — supostamente — com Gore Vidal:

“‘Michael’, Gore disse, ‘eu acabei de ler que você fez uma operação de troca de sexo’”.

Logo embaixo, o repórter faz uma breve descrição da aparência de Michael Cimino: “Aos 62, Cimino parece um cruzamento entre um cowboy hipster e a sua tia gorda”.

Mas isto foi no tão distante ano de 2002. Mas mesmo agora, em 2012, nada parece ter mudado. Cimino foi e voltou. Nunca mais produziu nada, nunca mais falou nada. Sua última lufada no cinema foi a direção do segmento No Translation Need no filme-coletivo Cada Um com Seu Cinema. Um pouco antes, em 2005, Cimino foi convidado para dar uma master class em Turim, Itália. A aula foi acompanhada — é claro — por um jornalista; que não hesitou em fazer uma breve descrição das aparências do (ex?) cineasta: “Com botas e chapéu de cowboy, esta é a versão de 2005 de Michael Cimino”.

De fato, sempre parece ter havido mais interesse na aparência de Cimino do que em seu próprio trabalho. Deve haver uma explicação: Ninguém se interessa pelos filmes dum fracassado megalomaníaco. As pessoas gostam de rir de quem fracassou, e o estilo semitravesti de Cimino é um prato cheio para elas. Tanto que até mesmo o caixa de uma lanchonete de beira de estrada que Cimino costuma frequentar dá seu pitaco, como vemos na supracitada entrevista de para a Vanity Fair: “Mais tarde, o caixa do Duke’s [Coffee Shop, a lanchonete de beira de estrada] aponta para uma foto na parede. ‘Michael vem aqui desde sempre’, ele diz, ‘e ele nunca se pareceu assim. Quando ele trouxe essa foto, eu perguntei ‘Quem é esse cara?’, e ele respondeu: ‘Sou eu!’”.

Só que além de exótico, Cimino é um autopropagandista que gosta de autopiedade, de forma que os outros pareçam sentir piedade por ele. Ademais, ele gosta que os outros se interessem por ele. Mas se eu ficar ponderando, nunca sairei do lugar.

Michael Cimino nasceu em Nova York. Até mesmo sua data de nascimento é uma incógnita. Nesta entrevista a Steve Garbarino (provavelmente a fonte mais completa e confiável sobre Cimino), uma fotocópia de seu passaporte aponta que o cineasta nasceu em 03 de fevereiro de 1952. Outras fontes dizem que ele nasceu em 1939 — e essas outras fontes são arquivos públicos.

Para todos os efeitos, a infância de Cimino parece ter sido brilhante. Nascido numa casa boêmia, o pai de Cimino era um homem mulherengo que trabalhava como editor de músicas, fornecendo cópias de músicas pop para órgãos tocarem nos intervalos de jogos de futebol americano. A mãe de Cimino era desenhista de roupas, e até onde sabemos, não manteve boa relação com o filho. Segundo Cimino, ela só soube que o filho estava famoso quando viu seu nome nas palavras cruzadas do New York Times.

Cimino descreve a si mesmo como um garoto “dotado de dons”, enquanto criança. Ele diz que poderia desenhar um retrato perfeito de alguém aos cinco anos. Apesar da sua cabeleira castanha nas fotos da época de O Franco Atirador (The Deer Hunter, 1978) e de O Portal do Paraíso (Heaven’s Gate, 1980), ele diz ter sido loiro até os doze anos de idade, e só voltou a esta coloração porque pagou “um desafio feito por uma namorada louca”. Continuar lendo

Ken Russell

Alex Verney-Elliott, filho do cineasta Ken Russell, ao anunciar a morte do pai, afirmou que ele morreu sorrindo, em seu leito de hospital, após uma série de derrames.

O fato de Russell ter morrido com este sereno rosto sorridente é algo para se pensar. Ora, Ken Russell é o criador de Mulheres Apaixonadas (Women in Love, 1969),  The Devils (Idem, 1971) e Savage Messiah (Idem, 1972). O que esses filmes têm em comum? A agressividade, a fúria, a estética altamente barroca, rebuscada; tudo isso servindo em prol de uma narrativa amalucada, rebelde e – sempre, sempre – polemista. E não é exagero dizer que, por vezes, todo o cinema de Russell parece ser priorizado inteiramente na polêmica e no excesso, e a narrativa fica em segundo plano.

Talvez o destino que um dos cineastas mais importantes do cinema britânico amargou venha exatamente desta rebeldia indomável, desta fúria descontrolada, do choque sempre certo – a soma de todos estes valores da sua filmografia tornou-se maior que seu criador, e de uma certa forma a personalidade e a estética das suas obras virou o próprio Ken Russell: O cineasta passou a ser conhecido como “O Apóstolo do Excesso”, “O Velho Furioso do Cinema”, “Fellini do Norte”.

Entretanto, rudes ou não, as alcunhas não são falsas, tampouco mentirosas. Fez por merecer, este filhotinho do caos.

Talvez a origem do caos e da maluquice descontrolada, mas sempre elegante, do seu cinema venha do berço de Henry Kenneth Alfred Russell, nascido em Southampton, Inglaterra, no dia três de julho de mil novecentos e vinte e sete. O pai de Ken, um senhor chamado Henry, era um sapateiro que também trabalhava como caixeiro viajante e sempre que possível estava bem longe de casa, uma vez que odiava a família que concebera. A mãe, Ethel Russell, era louca e passava as tardes no cinema com o filho – onde entrou em contato com a educação de Fritz Lang, uma de suas referências assumidas. De fato, toda a educação de Ken Russell (seja artística ou escolar) foi longe de casa: Estudou em colégios privados e internos, onde desde já aspirava uma carreira na área das artes. Tentou ser dançarino, mas logo deve de aceitar o fato que seu físico não lhe permitira tal profissão. Ao invés disso, ingressou na Marinha Mercante Britânica (em mil novecentos e quarenta e cinco), onde serviu no Pacífico. Seu capitão era um homem histérico e louco (mais uma vez a falta de lógica entra em contato com sua vida), que tinha um medo patológico de ser atacado por submarinos japoneses – ainda que a Segunda Guerra Mundial já tivesse acabado. Resultado: Russell teve de ficar horas e horas de alerta sob o sol do Pacífico, o que lhe acarretou um colapso nervoso. Logo em seguida resolveu entrar na Força Aérea Real (a RAF), onde serviu de quarenta e seis a quarenta e nove.

Ken Russell reportou as "Teddy girls" numa série de fotografias no início da década de 50. (Foto: Ken Russell)

Ao retornar do serviço militar, Russell voltou-se para a fotografia, trabalhando em uma série de fotodocumentários sobre as “Teddy girls,” subgênero da subcultura “Teddy,” que encantou os jovens ingleses após a Segunda Guerra, em que todos se vestiam de uma maneira mais ou menos arcaica, utilizando roupas do período do rei Eduardo VII. A série de fotos foi publicada no periódico Picture Post. A fotografia ao lado faz parte desta coleção.

Mas aí Ken Russell se apaixonou por outra câmera: A de Cinema. Após fazer um número de curtas-metragens amadores baseado no movimento Cinema Livre, o futuro cineasta chegou a BBC, onde passou a escrever, produzir e dirigir vários filmes biográficos sobre músicos. E foi o sucesso de Elgar, seu segundo trabalho, que lhe abriu as portas para o Cinema. Todavia, seu primeiro filme, French Dressing (Idem, 1963), uma comédia sobre um resort à beira-mar na Inglaterra. Não foi nada rentável, e o cineasta se viu de volta aos filmes de música na BBC e logo começou a polemizar: Comprou briga Hul Wheldon, seu produtor, por querer usar atores reais em uma simples série de documentários sobre música e chamou resolveu contar o envolvimento de Richard Strauss com o nazismo em A Dança dos Sete Véus (The Dance of the Seven Veils, 1970) – o que retirou o filme de circulação até a expiração dos direitos autorais das músicas utilizadas no filme, algo que acontecerá em dois mil e dezenove.

Mas nesta altura, Ken Russell já era um sujeito famoso. Apenas um ano antes, em sessenta e nove, dirigira a primeira de suas obras-primas: Mulheres Apaixonadas, estrelando Oliver Reed, Alan Bates, Glenda Jackson e Jennie Linden. Um sucesso de bilheteria, crítica e, de quebra, foi indicado a três Oscar (Melhor Fotografia, Melhor Atriz [Glenda Jackson, que ganhou] e Melhor Direção). Mas talvez Mulheres Apaixonadas seja mais lembrado mesmo pela cena de wrestling que Reed e Bates travaram totalmente nus.  Falando nisso, reza a lenda que Russell queria cortar essa cena, mas foi obrigado a colocar na montagem final porque Oliver Reed estava lhe estrangulando enquanto tentava mudá-lo de idéia. Continuar lendo

Um pouquinho sobre Kar Wai Wong

Enquanto Kar Wai Wong continuar sendo Kar Wai Wong, nunca o respeitarei. Enquanto ele prezar forma mais que o conteúdo é difícil eu o levar a sério. Quem leu meu texto para Cinzas do Passado, no antigo blog, sabe disso. Conteúdo o oriental tem, falta apenas alguém que ponha os pés do homem no chão.

Mas só que esse teaser de The Grandmasters, novo filme do homem que fez o açucarado Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights, 2007), jogou uma nova luz no que eu entendo por Kar Wai Wong (o pouco que eu entendo, de fato). Sempre o considerei um filho da puta charlatão que queria mais se masturbar enquanto via seus enquadramentos nada convencionais misturados ao vórtice de luz e cores que pintavam seus filmes. No momento em que me deparei com uma paleta fria e monocromática nesses dois minutos de preview, pensei comigo: “Será que ele consegue se controlar?” A luta é elegante, sem dúvidas. Ao menos no trailer o homem se desviou pouco do assunto principal – a luta, óbvio. Wai aparentemente percebeu que o importante é contar a história, e não mostrar que existe de fato um diretor no filme – pra isso existem os créditos, ora!

Mas estou voando alto demais, é só um trailer. Ainda posso me decepcionar amargamente com o menino, como anda acontecendo. Qualquer hora dessas posto um texto sobre Felizes Juntos e me aprofundo mais.

Dá uma olhada no que estou dizendo assistindo o trailer aí:

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Je Vous Salue, Sarajevo

Mestre do sono, do chato, do pretensioso, do diferentão. Se eu quiser falar mal dele sem partir pra porradaria, é assim que eu vou definir Godard. O mais brochante dos cineastas, o mais pretensioso. Ele é um dos motivos que me fazem achar que a Nouvelle Vague não passa de um buraco preenchido com água no cinema francês – e alguns, mas apenas alguns, filmes de François Truffaut funcionam como ilhotas, tão distantes uma das outras, nesse puta oceano (para citar um exemplo, coloco o tocante O Garoto Selvagem na roda). E ainda assim, mesmo em seus piores exemplares, Truffaut conseguia ensaiar uma lucidez que Godard nunca conseguiu ter, mesmo em seus sonhos mais selvagens. Eu sei, os dois tinham cinemas distintos. Godard era abstrato, incendiário. Fazia Cinema pra quebrar com os alicerces constituídos. Ora, Béla Tarr, cineasta menos febril que Godard, conseguiu fazer – em menos filmes – uma diferença muito, muito maior.

E eis que aqui está o curta Je Vous Salue, Sarajevo, do tal mestre francês. A partir de uma série de planos-detalhe de uma única fotografia, Godard monta um painel da Europa Cultural (realmente interessante, devo admitir) e – na maneira mais radical e generalizante que encontrou – dividiu tudo em dois. A ânsia de Godard de fazer uma obra seminal sobre essa Europa Cultural tomando como exemplo Sarajevo é risível. O curta parece ter sido montado por um adolescente estudante de Cinema no MovieMaker. O curta vem depois do pulo: Continuar lendo