O título de “Melhor Imitador de Terrence Malick” antes era ostentado por Andrew Dominik por O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 2008). Agora não é mais. Sério, Malick jogou uma refinaria de açúcar nos meus olhos.
O cinema de Terrence Malick, figura folclórica notada pelos seus hiatos de tamanhos histéricos, é formado por encontros e desencontros. O universo em que seus personagens habitam é delineado por uma tênue linha de eventos — num momento pode estar tudo bem, no outro um evento imutável e de reverberação eterna pode acontecer. Muita gente — e uma parcela alarmante da ~crítica~ — parece não entender. E não apenas a crítica (que nada mais é do que um corpo imbecil da igualmente imbecil Gestapo cultural), mas os próprios colegas de trabalho de Malick. Alguém se lembra do Christopher Plummer dizendo que Terrence precisava urgentemente de um roteirista?
Claro que ele não precisa. O mundo de Malick é calcado em duas coisas — que são, também, suas principais obsessões. Primeiramente é um mundo em que a Igreja — representada não apenas pelas figuras clericais, mas pela fé, espiritualidade, Bíblia; enfim, materialismos e metafísicas. A melhor leitura que podemos fazer da surrada Pocahontas de O Novo Mundo (The New World, 2005) é que ela nada mais é do que a Virgem Maria. E mesmo que ela não seja virgem (porque Colin Farrel a desvirginou e Christian Bale com ela teve uma criança), sua pureza e sua fé irrefreável na natureza valem por qualquer terço ou rosário. Ah, e já que falei em natureza, eis o segundo elemento mais importante da Malicklândia.
O que é lamentável é que nem sempre esses dois fundamentos — por mais cinemáticos que eles sejam (especialmente o segundo) — conseguem funcionar com cem por cento de destreza. Retornando ao Novo Mundo, um dos maiores problemas daquele filme (que, apesar dos pesares, tem o melhor desfecho da carreira do cineasta) é que ele não era amplo o suficiente. Havia toda aquela iconografia natural e todas aquelas vozes e sussurros e gritos e mãos nas árvores e toda aquela música clássica e aquele sentimento de superação da própria matéria, mas ainda faltava a pureza e a simplicidade de Terra de Ninguém (Badlands, 1973) e a angústia que levava não apenas os soldados mas a própria terra à loucura em Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line, 1998). Continuar lendo






2/5

![Interiors (Woody Allen 1978) DivX DVDRip.avi_snapshot_01.08.59_[2013.01.13_21.14.35]](http://ornitorrincocinefilo.files.wordpress.com/2013/01/interiors-woody-allen-1978-divx-dvdrip-avi_snapshot_01-08-59_2013-01-13_21-14-35.jpg?w=652)