O Siciliano, apesar de ser baseado num romance de Mario Puzo, tem muito pouco — ou nada — de O Poderoso Chefão, obra-prima máxima e exemplo cinematográfico para todo o sempre.
Entretanto, é fato que esta pequena pérola de Michael Cimino é um filme singular. Após sua baixada de bola em O Ano do Dragão (Year of the Dragon, 1985 — que é melhor que este Siciliano, mesmo sendo algo “menor”), O Siciliano apresenta temas caros e gerais na carreira de Cimino. Em O Siciliano, o protagonista Salvatore (Christopher Lambert) é obrigado a tomar medidas drásticas para salvar a pequena comunidade onde vive na Sicilia, das mãos dos grandes latifundiários que querem o poder todo para si.
E o que isso nos lembra? Exato, O Portal do Paraíso (Heaven’s Gate, 1980). Todos os caminhos levam a Portal do Paraíso. Só que desde aquele filme do início da década de oitenta até esta obra menor, ocorreram mudanças. Cimino já não podia, ou não estava interessado, em contar a história de um desgraçado que faz as coisas por impulso, e no final percebe que todos os seus esforços foram em vão. O Portal do Paraíso era o Vietnã. E se O Portal do Paraíso era o Vietnã, O Siciliano é Iwo Jima — americanos (no caso, sicilianos, óbvio) vão a luta pra “livrar” um lugar esquecido por Deus da mão de pessoas malvadas. Continuar lendo
