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A nostalgia é um delicioso sentimento que consiste na saudade por tempos passados que – obviamente – não voltarão mais. Muitos hoje se lamentam pela perda da velha escola de filmes, existente na época em que jovens cineastas se preocupavam constantemente com o progresso do cinema; a independência que acompanhava esses jovens idealistas era motivada pelas muitas expressões, ainda naqueles tempos, inéditas. Eles eram independentes porque precisavam de liberdade total para assumirem a revolução; nomes como George Romero, John Carpenter e Dario Argento são os primeiros que vêm à mente quando recordamos a explosiva década de 70. Os anos 70 fora o ponto principal do cinema de horror; foi a partir daí que a seriedade absoluta ficou evidente, trocando as velhas sombras típicas do expressionismo alemão pelo sangue claro e vermelho.
Dario Argento está para o “giallo” (suspense policial italiano) assim como Orson Welles está para Cidadão Kane. Se o “giallo” era um açougueiro sanguinário nos anos 70, hoje é apenas uma lembrança que vive na mente de seus admiradores. O mais recente filme de Argento, Giallo – Reféns do Medo, é perigoso; uma obra de difícil compreensão, embora seja de uma linguagem comum. Seu título enganará alguns, e é aí que reside a periculosidade; quem esperar um filme pertencente ao subgênero que consagrou seu diretor, provavelmente se decepcionará deveras. O que tencionaram criar em Giallo – Reféns do Medo foi uma expressão de nostalgia para com aquele velho estilo italiano dos anos 70; para isso, a obra mergulha em uma sutil banheira metalingüística, que será captada mais facilmente pelos conhecedores deste tipo de cinema. Fora isso, Giallo – Reféns do Medo não é um “giallo”.
Quando Tenebre fora realizado em 1982, Argento fez uso de artifícios críticos para a reabilitação do estilo que o consagrou; para isso, o próprio fez uso do constante pessimismo, referenciou velhos mestres do mundo da literatura policial e, com lucidez, relembrou seus primeiros passos. Já no início da década de 80 o “giallo” estava em decadência, e através de Tenebre podemos captar uma ponta de esperança proveniente de seu realizador, uma esperança acerca da ressuscitação do perverso estilo sanguinário. Com Giallo – Reféns do Medo a coisa é um pouco diferente; este filme também se apóia na nostalgia, mas de uma forma melancólica, consciente de que o passado está enterrado para sempre, desprovido de qualquer esperança. Justamente por isso, não seria equívoco afirmar que é seu trabalho mais maduro e consciente – o que não significa necessariamente que se trata de sua melhor obra. Continuar lendo



