Imaginem só como é a experiência de assistir, pela primeira vez, algum trabalho de algum diretor pouco conhecido. Nunca tinha assistido nada de Ken Russell e não sabia o que esperar de Savage Messiah. Pois bem, hoje posso afirmar que assisti Savage Messiah, e é até agora o único filme que vi do nome já citado. Uma das poucas coisas que conhecia a respeito dos trabalhos costumeiros de Russell, é que se tratam de obras polêmicas. Conhecem aquele tipo malucão de filme que só agrada os malucões fanáticos por cinema?… pois bem, o caso de Savage Messiah, juntamente com quase toda obra de Ken Russell, é esse.
Savage Messiah é mais um dos casos de filmes que não viram as luzes do céu brasileiro sob forma legal – nenhuma distribuidora se dignou a lançar ele por aqui. Não tendo distribuição no Brasil, o filme é conhecido por aqui pelo seu título original mesmo: Savage Messiah (Messias Selvagem, traduzido ao pé da letra) [Errata: O filme tem título em português: Messias do Mal. De toda forma, não há distribuição de forma alguma deste título em território nacional (Nota do Editor)]. Graças às mãos de uma das melhores invenções do homem – a internet – podemos adquirir facilmente, pelos caprichos do nosso idioma, o filme na íntegra. É um filme que merece ser visto por qualquer um que tenha certa queda pela arte em geral.
Russell retrata em Savage Messiah parte da vida de Henri Gaudier-Brzeska, famoso escultor francês. Gaudier foi um sujeito sonhador (como todo artista que se preze) que morreu na flor da idade. Logo ao início da exibição, observamos uma pequena apresentação da trama por completo: palavras e palavras revelam que a história que os espectadores estão para testemunhar trata da vida de um jovem estudante de artes (Gaudier) e de uma mulher pelo qual se apaixonou (Sophie, uma escritora). Muitas obras com teor biográfico são vistas pela grande parte do público como obras enfadonhas, mas certamente esse não é o caso de Savage Messiah. É um caso que vai muito além de ser apenas uma obra de objetivo biográfico: a vida de Gaudier foi uma tremenda aventura, e Russell soube retratar muito bem essa aventura. Continuar lendo
