“I was cured with spoilers alright”.
2/5
O meu ponto sobre (500) Dias com Ela está devidamente ilustrado — e bem ilustrado — nas últimas cenas do filme. Aliás, ele pode ser mais bem encontrado bem na cena da festa no terraço de Summer (Zooey Deschanel), quando o coitado do Tom (Joseph Gordon–Levitt) a vê exibindo gloriosamente seu anel de noivado.
Aliás, coitado? Há controvérsias. Você vê, eu não sou o rei dos relacionamentos, tampouco sou Casanova. Como Tom, eu acredito em romance e em amor à primeira vista — sou um cara romântico. Eu sou um idealista, um cara caloroso; acredito em fadas e unicórnios, exatamente como Brian Clough em Maldito Futebol Clube (The Damned United, 2008) — tenho até o mesmo orgulho próprio.
Mas ao contrário de Tom, eu não fico remoendo relacionamentos que estão sepultados. Nos poucos, se tive algum, bom: Life goes on, certo? Tom diria que estou errado.
E bastante simples: Tom é um almagma de toda uma geração — a minha geração. Nós fomos acostumados a ter tudo na palma da mão, sem ter que ralar por. Nós fomos adormecidos por romances na televisão e por amores imaginários. O mundo atual é algo tão sintético; tão falso e arbitrário que aqueles que se põem a pensar e a refletir sobre a vida, o universo e tudo mais acabam se tornando sedentos por — digamos — amor e compaixão, e escolhem sofrer para sentir algo parecido com um sentimento, e é exatamente neste momento em que eles caem num precipício de desilusão e de autoenganação e martírio, pois passam a achar que a vida significa, ou só vale a pena — como Tom achou— um amor para recordar; algo de união duradoura e eterna, pra acabar com a solidão — e acabam egoístas quando percebem que finalmente alguém lhe deu bola.
(E ele estava, é claro, redondamente enganado).
Zooey/Summer (é quase a mesma coisa, vou abordar sobre isso depois) percebeu o verdadeiro significado de vida no nosso tempo. Ela percebeu que é a independência e o bem-estar consigo mesma é o que vale a pena na vida. Não ficar remoendo sentimentos, mas sim superá-los. E acredite-me, está tudo bem claro. E se não está, existem algumas perguntas para serem respondidas, então:
- Por que Summer não sorri quando enquanto está presa a Tom, enquanto este insiste em mantê-la “unida” para si?
- Por que quando Summer finalmente sai da relação, ela não remói nenhum tipo de sentimento, não fica fingindo que não o viu (ao contrário, Summer vai ao encontro de Tom) e nem nutre falsas esperanças no sentido de “reatar” um relacionamento?
- Por que é Summer quem consegue o verdadeiro amor da vida, quebrando aquela barreira de “a maioria dos casamentos hoje em dia termina”, enquanto Tom fica (ainda) chorando lágrimas de sangue?
A questão é muito, muito simples: É porque Tom é um fraco, um mal-acostumado. Um bunda-mole. “Criado com Toddynho”. Ele não faz as coisas acontecerem, Tom espera que as coisas despencarem do céu. Ele acredita no destino, só que destino não existe, e o babaca não percebe. Tom estudou Arquitetura e, sabe Deus por que, trabalha como assalariado numa empresa de cartões. Tom não vai atrás — e esse é o mal da geração que curte (500) Dias: Fica sentada em casa, assistindo Vh1 e escutando Lana Del Rey (não resisti) aguardando a pessoa. Continuar lendo →