Três vídeos para relaxar

Eu recebi esses vídeos ontem de noite e simplesmente não consigo parar de rir. Eu sei que eles não condizem com a proposta do blog, mas eu tinha que compartilhar com vocês.

No primeiro vídeo, o diretor Werner Herzog está dando uma entrevista para a BBC quando, subitamente, leva um tiro de um rifle de ar comprimido na barriga (detalhe para as ceroulas dele). No segundo, Herzog, enquanto durante uma entrevista, começa a fazer um surtado discurso sobre hipsters — observe o ódio de suas palavras (na verdade é um ripoff, no original ele fala sobre… galinhas).

No último… bom, tirem suas próprias conclusões.

Os dois primeiros vídeos são uma cortesia do genial Fellipe De Paula. O último me foi enviado pelo inestimável Lucas Assis. ;-)

Victor Bruno

Martin Scorsese Bleu de Chanel

Não é novidade alguma que diretores do mainstream são constantemente convidados a dirigirem comerciais de marcas famosas. David Lynch fez para uma marca de perfumes cujo nome esqueci e não vou atrás lembrar, David Fincher fez e faz para a Nike e para a Levi’s (no antigo blog eu mesmo linkei dois comerciais dele). Enfim: É constante.

Mas o caso que eu tenho com comercial do Bleu de Chanel é bastante simples: Eu já tinha visto dezenas de vezes na TV, mas apenas a versão mínima de 15 segundos, que se resumia a dois close-ups e ao astro do comercial dizendo “Eu não serei mais a pessoa que vocês esperam que eu seja,” após ele dar uma olhada numa loira que está assistindo a conferência de imprensa que ele está dando — mas nunca poderia imaginar que aquele comercial tão simples tinha sido dirigido por Martin Scorsese.

Mas mesmo nesse pequeno spot eu vi uma grande qualidade de trabalho. Claro, eu nunca poderia imaginar que tinha o dedo do Scorsese naquilo (apesar de, depois que descobri quem tinha feito, me parecer bem óbvio).

Pois bem, em 15 segundos, o comercial tinha contado uma belíssima história: Um ator premiado que se cansa da vida que leva, encontra uma garota especial e decide mudar a postura — e assinala isso numa frase rebelde. Pra mim dava uma ótima história — que cansei de escutar depois que revi dezenas de vezes.

Mas aí eu descubro, graças ao MUBI: Cara; é Scorsese.

O comercial que eu linkei no início do post é a versão completa, de um minuto. Eu não considero o melhor comercial do mundo (estão na frente desse; o comercial da Johnny Walker com Robert Carlyle, o comercial da Ford Ranger sobre o dia em que o sol não apareceu, e — sim! — o comercial da Folha de S. Paulo em que a câmera se afasta dos pontos de tinta revelando uma figura cavernosa).

Mas divago. O que me impressionou ao terminar de ver essa versão mais longa do comercial do Scorsese não foi a história, uma possível complexidade, etc. Nada disso. Continua sendo uma história bem simples, apesar de novos contornos: Infelizmente essa versão mais longa revela uma trama mais banal: O ator da conferência de imprensa relembra um antigo amor de sua vida e abandona tudo. Mas isso é irrelevante: O que me chamou a atenção foi como Scorsese contou essa história. Continuar lendo

Nos ecos do Hurdy Gurdy Man

Grandes Cenas – Zodíaco

Um momento que considero ímpar no Cinema recente é a primeira morte mostrada na obra-prima de David Fincher, Zodíaco (Zodiac, 2007). Apesar de ser um filme injustamente subestimado e frequentemente ignorado pelo público e, até mesmo, pela própria crítica especializada, Zodíaco deveria ser visto como um exemplar absoluto de todo poder criativo de um cineasta absolutamente genial. Zodíaco, não é só uma envolvente (ainda que difícil) narrativa sobre um serial killer, mas também se configura (ao lado de Sangue Negro, O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e A Rede Social [The Social Network, 2010], também de Fincher) como um dos mais impressionantes estudos de personagem criados pelo cinema norte-americano dos últimos vinte anos — o roteiro cuidadosamente criado por James Vanderbilt (que nunca mais chegou perto de criar uma obra que chegue à sola do sapato de Zodíaco) possuidor de uma carga dramática e de um arco de personagem fascinante, a atmosfera anaeróbica eficientemente criada por Fincher, a belíssima fotografia de Harry Savides e, claro, a absolutamente soberba montagem de Angus Wall, são, todos juntos elementos que transformam esse filme numa obra gigantesca.

E claro que esta mistura de qualidades, em algum momento, vão nos trazer momentos de puro deleite — e no caso de Zodíaco, o primeiro está justamente no início; a cena da morte da garota no carro. Esta cena, como toda grande cena, não é isolada das outras. Aliás, uma das grandes qualidades de Zodíaco é que a soma das suas partes não é melhor que o resultado inteiro (como é, talvez, O Quarto do Pânico [Panic Room, 2002] ou o medíocre Clube da Luta [Fight Club, 1999] — envergonhem-se, fãs). De fato, esta primeira cena (que, narrativamente, deve ser considerado como o prólogo do filme) tem sua grandeza elevada porque o que acontece nela refletirá e ecoará durante toda a narrativa, sendo a motivação dos personagens de continuar com seus objetivos; além de ser o ponto de partida da trama.

Tal qual A Rede Social, Zodíaco é um círculo. A personagem que inicia o arco dramático do filme (Michael Mageau, o sobrevivente do ataque de Zodíaco) está na primeira e na última cena do filme, mas de maneiras bem distintas, que abordarei depois.

A primeira tomada do prólogo — e do filme, claro — é um belíssimo plano aéreo, concebido em computador (um dos fatores que me levam a admirar Fincher de forma quase incondicional é como ele utiliza os efeitos especiais como ferramenta narrativa, e não como gimmick), nos apresenta, curiosamente, não o espaço da ação, mas o tempo: Uma noite de 4 de Julho.  Não é necessário, agora, que nós estejamos cientes de esta é a cidade de Vallejo, na Califórnia, basta que saibamos que esta é uma noite especial: Fincher coloca elementos na tela que nos indicam isso — que são, no caso, os fogos de artifício. Continuar lendo

Pescando com Terry Gilliam

Eu vi certo frission ao redor de uma entrevista dada pelo Terry Gilliam, em que ele criticava (pra dizer o mínimo) o cinema do Michael Bay, o novo filme do Steven Spielberg, As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin, 2011), John Williams e Christopher Nolan. Obviamente eu estava curioso pelo que ele disse – e até mesmo surpreso, já que não era a primeira vez que ele abria a boca pra falar mal de alguém, e nem será a última. Gilliam já falou mal de Hollywood várias e várias vezes (“Hollywood é controlada por pessoas de mentes pequenas que adoram cortar as pernas de pessoas criativas. Tudo o que eles fazem é dizer ‘não’”). Também pudera: Quase uma década desenvolvendo The Man Who Killed Don Quixote, e depois o filme foi abortado no último segundo; um colapso nervoso que lhe custou os movimentos das pernas por semanas durante a produção de Brazil – O Filme; a morte do ator principal em O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (The Imaginarium of Dr. Parnassus, 2009) e brigas sangrentas durante a produção de Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm, 2005) com os irmãos Weinstein (mas que cineasta nunca brigou com esses filhos da puta?).

Só que eu tenho que dizer: Foi frustrante – muito frustrante – o que li. Não eram críticas (construtivas ou não) ou desabafos, mas simplesmente uma constatação do óbvio proferida de uma maneira pedestre. Eu esperava por tudo, mas menos que uma pessoa como Terry Gilliam, um cineasta por quem, mesmo tendo torcido o nariz para vários dos seus filmes, tenho uma admiração considerável (e mesmo se eu não tivesse gostado de nenhum filme dele, ainda o admiraria por seu trabalho no Monty Python). Chegou a ser risível quando li “Na sociedade [...] temos pornô vinte e quatro horas por dia, todo mundo pode se masturbar, mas eu me pergunto por que ninguém mais faz sexo de verdade.Continuar lendo

Promoções “O Homem que Engarrafava Nuvens” e “O Mineiro e o Queijo” – Resultado

Agora vamos nós, senhores.

Durante a última semana, o Ornitorrinco Cinéfilo esteve com uma promoção, sorteando uma entrada para o filme O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton, e um DVD do filme O Homem que Engarrafava Nuvens.

Estando as duas promoções acabadas, vamos aos vencedores.

  • Promoção “O Mineiro e o Queijo” – Vencedor: luisniel
  • Promoção “O Homem que Engarrafava Nuvens – Vencedor: Saldanha

Parabéns aos vencedores! O Ornitorrinco Cinéfilo entrará em contato com vocês o mais breve possível.

Victor Bruno

Promoção #2 – O Homem que Engarrafava Nuvens

Mais uma promoção, senhores e senhoras. Com a chegada em DVD do filme O Homem que Engarrafava Nuvens, de Lírio Ferreira, cujo tema aborda a vida e a obra de Humberto Teixeira, o “Doutor do Baião”, o Ornitorrinco Cinéfilo sorteia para você um DVD  – basta deixar um comentário aqui embaixo. O prazo vai até o próximo domingo, dia nove.

Para mais informações, acesse o site do filme clicando aqui. O trailer vem depois do pulo: Continuar lendo

Sobre O Mineiro e o Queijo

Update [05/10/11]: Atenção! Deixe um comentário neste post e concorra a uma entrada para o filme O Mineiro e o Queijo. O prazo final vai até a sexta-feira desta semana (ou seja, até o dia sete), terminando às 00h00, capisce?

Confira a página Promoções!, no alto do site, ou à direita, caso queira mais quinquilharias oferecidas pela equipe.

Atensiosamente,
o Editor. Continuar lendo

Sem elegias para Bob Ford

Grandes Cenas — O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford

De tempos em tempos eu revejo O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford. Por algum motivo, gosto da história de fracassados. Só que o Robert Ford não é apenas um fracassado. Ele é o fracassado. Mas além de fracassado, Robert Ford é um incompreendido. O tiro disparado por Ford que matou o Jesse James foi – provavelmente – o disparo mais amargo, emblemático e cheio de carga da História norte-americana. Como o próprio Bob Ford diz, ele sempre foi um nada na vida, o homem esquecido. Matar Jesse James seria sua chance de glória – afinal, ele estaria finalizando com o maior bandido da história do Oeste americano.

Mas como ele viu, o tiro saiu pela culatra (sem trocadilhos). Bob não viu glória. Bob não viu nada. Pelo contrário, ele voltou exatamente para o mesmo estágio de inércia em que se encontrava quando topamos com sua figura, lá no início do filme. As pessoas continuavam lhe desviando o olhar. Se no início do filme, as pessoas se retiravam do lugar quando ele chegava, agora elas lhe mandam mensagens de morte.

É exatamente por esse motivo que acho os últimos três minutos e meio de O Assassinato… tão geniais. É fácil de entender por que a maioria das pessoas considera os últimos minutos deste filme superiores a todos os outros – é por que eles são mais diretos. Ao contrário de toda a frescurada contemplativa que Dominik empregou no resto do filme, aqui ele vai direto ao ponto. Mas eu te garanto: Os últimos minutos não seriam tão espetaculares se não fosse o resto do filme.

Mas não quero criticar todo o filme. Quero apenas me ater esse momento em particular do vídeo acima: Vou tentar explicar por que o epílogo da narrativa é tão especial para mim. Depois do pulo, claro. Continuar lendo

Não mais favela

O simples fato de este tal filme ser feito é apavorante. Sério, não se faz esse tipo de coisa sem nenhuma razão. Você já viu alguém ser satírico sem ser crítico ao mesmo tempo? Não, duvido. Não se faz sátira sem se fazer crítica – sátira por sátira é burrice.

Hoje estava navegando pelo blog do irreverente e ácido cronista Xico Sá (autor de ‘Chabadabadá’ e ‘Modas de Macho e Modinhas de Fêmea’), meu novo herói, quando me deparei com um texto singular: ‘Pede pra sair, favela-movie’.

Fiquei surpreso por dois motivos. Primeiro: Normalmente o Xico (com “X” mesmo, viu?) escreve seus textos voltando-se para o universo masculino – especialmente para aqueles homens machões; seus textos são salpicados de termos… hmmm… não muito jornalísticos. Por exemplo: O primeiro texto que li de sua autoria falava sobre a extinção daquele macho “de verdade”, que passava Minâncora, e que achava que desodorante era coisa de viado. Óbvio que não concordo com uma vírgula do que ele escreve – mas não posso negar que ri desesperadamente com as doidices que esse senhor escreveu.

Quando não, Sá escreve sobre a extinção das dentucinhas, de política. O mais interessante é que o estilo dele é tão bronco, tão cheio de piruetas, que a leitura torna-se um exercício constante para o maxilar: A gente ri, ri e ri. E como ri.

Voltando ao texto: Sá escreveu hoje sobre Totalmente Inocentes. Dirigido por Rodrigo Bittencourt, o filme pretende fazer uma brincadeira com o gênero de “filme-de-favela”. Sacou, né? Tropa de Elite, Cidade de Deus, Linha de Passe, etc., etc., etc.

A intenção é boa, admito. Eu sei que não é verdade o que 97% das pessoas pensam. Não, nem todo filme brasileiro fala sobre favela. Alguns falam sobre maridos e mulheres que, por mágica, trocam de sexo, outros falam sobre mulheres imaginárias, mas os mais notórios são esses de favela. Ou sobre assaltos. Aos bancos centrais. Não interessa, tem que ter crime, violência, galinha correndo – o cacete de asa. Continuar lendo

Eu não lerei a porra do seu roteiro

O que Josh Olson escreveu aqui pode ser tranquilamente aplicado a qualquer outra situação. (Sim, eu sei que tanto Roger Ebert, como Pablo Villaça curtiram esse texto hoje no Facebook. Foi assim que conheci este isto.)

Eu não lerei a porra do seu roteiro.

É simples, não? “Eu não lerei a porra do seu roteiro.” O que não está claro? Não é nada pessoal, nada muito complexo, nada complicado. Eu simplesmente não tenho interesse em ler a porra do seu roteiro de Cinema. Em hipótese alguma.

Se parece injusto, eu farei um acordo com você. Em retorno por você não pedir para que eu leia a porra do seu roteiro, eu não pedirei para você lavar a porra do meu carro, tirar a minha porra de fotografia, me representar na porra de um tribunal, ou retirar a minha vesícula biliar, ou qualquer merda que você faça pra viver.

Você é adorável. Qualquer que seja o tempo que passamos juntos, eu tenho certeza, foi adorável para nós dois. Eu adorei a nossa conversa sobre a estrutura e o tema do seu roteiro, e por que Sergio Leone é o maior diretor que já viveu. Sim, nós ficamos unidos, e sim, eu desejo sorte em todas as suas empreitadas, e não me assustaria se eu descobrisse que você vendeu o seu roteiro, e que ele se tornou o melhor filme já feito desde O Poderoso Chefão – Parte II.

Mas eu não lerei a porra do seu roteiro.

Agora, você já deveria ter saído daqui, firme na convicção de que sou um babaca. Mas se você está interessado em evoluir como ser humano e reconhecer que, de fato, você é que é o babaca nessa situação, por favor, continue lendo.

Sim, verdade. Eu te chamei de babaca. Por que você foi quem criou esta situação. Você me pôs nesta posição onde minha única opinião é aceitar seus pedidos ou ser o malvado. E isto, meu amigo, é a definição de um gesto babaca.

Eu recentemente fui contrariado por um homem do meu menor conhecimento. Continuar lendo