
2/5
Assistindo O Grande Gabbo, percebi uma associação forte com o último filme de Jodie Foster, Um Novo Despertar (The Beaver, 2011) que vai bem além de sua semelhança do texto em relação ao personagem principal (solitário, e se vê realizado apenas na presença de um boneco): ela está mais na própria ideia formada pelo filme desses indivíduos. A sensação que ambos os filmes tentam passar notoriamente é de personagens desajeitados e desconectados do mundo em que vivemos, mas diante da péssima construção dos diretores, não parecem mais que meros idiotas. A situação piora quando você pensa em Um Novo Despertar e O Grande Gabbo como paródias da sociedade em seus respectivos tempos, porque aí eles são ainda mais falhos – ou, o que é provável talvez Foster e Cruze espertamente notaram suas inabilidades dramáticas com o material e pensaram: “vamos deixar tudo mais leve, mais cômico, assim ninguém conseguirá criticar a nossa falta de aprofundamento” (mas temos os irmãos Farrelly por aí, confirmando que um não anula o outro, e os dois juntos podem formar objetos tão estranhos quanto adoráveis em torno de seus personagens que são basicamente os mesmos tipos de Gabbo).
O personagem Gabbo, um ventríloquo, é uma típica ideia a qual Stoheim estava acostumado – uma imagem forma o auto-suficiente, o egocêntrico, o autêntico -; de tão megalomaníaco parecia uma ironia com sua persona (e é). No início, durante os primeiros anos de ascensão Gabbo à fama, ele era apaixonado por uma bela dançarina jovem chamada Maria, que também era sua assistente de palco. Ela o amava também, mas alguém com personalidade cáustica e temperamental Gabbo é dolorosamente difícil de se conviver. E por sua vez Gabbo mantinha seu amor por Maria em segredo, talvez por medo do desconhecido ou talvez por uma falta de auto-confiança em uma área que não podia controlar. Seja qual for a razão, Gabbo amava Maria secretamente, mas visivelmente lhe mostrou nada além de desprezo e desdém. E, no entanto, Mary ficou com ele por um longo tempo, talvez magneticamente atraídos para sua personalidade forte e dominante, mas na esperança de que mais profundo dentro era um homem que podia abraçar e ler Jane Austen. Afinal, nada mais atrativo pra uma garota que um tipo impositor (e nada mais chamativo que a chance que elas têm de poder mudá-lo). Continuar lendo


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