por Adrian Martin,
originalmente na revista eletrônica Transit em inglês e em espanhol.
traduzido por Victor Bruno
com permissão do autor.
[links, imagens e vídeos presentes no artigo original preservados atendendo ao pedido dele, também]
A câmera mergulha na água e reemerge. Sons grosseiros de vento e alta distorção assaltam o microfone embutido na câmera digital. Gotículas de água na lente borram e enfeiam a imagem, deixando-a abstrata. Movimentos repentinos e sem motivos para cima, para baixo, para a esquerda e direita. Um filme montado como se fosse retalhos, ruínas do chão da sala de montagem. Seria esse o (exageradamente) aclamado documentário de ‘etnografia imersiva sensitiva’ Leviathan (Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel, 2012), certo? Não, essa é a erupção do cantor Justin Bieber como seu próprio auteur, 18 anos de idade no momento, no clipe de “Beauty and a Beat” (2012) — quatro minutos e cinquenta e dois segundos de puro cinema.
“Beauty and a Beat” se apresenta, no conceito contemporâneo familiar de filmes de terror ao estilo da série Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007‒2013), como “três horas de filmagens pessoais” roubadas de Bieber que depois reapareceram, ilegalmente, online. Isso permite uma sessão de abertura desjuntada com relances de Justin B. brincando por aí com seus manos e um abrupto fim com ‘morte súbita’. No meio tempo vem a canção. E com ela vem o segundo, e maior, conceito visual. Alegando (nos orgulhosos créditos rabiscados em giz numa mesa de pingue-pongue) ser “escrito, dirigido e gravado” pelo Garotinho Maravilha em pessoa, o clipe faz uma tentativa quase séria de se passar como um épico em plano-sequência guiado pela sua própria mão: seu braço estendido e seus olhares furtivos atrás de si onde quer que vá testificam o estilo com essa espécie de olhar automático. Continuar lendo


