
UPDATE 07/12/12, 21:31 - Michael Cimino criou uma conta agora pela manhã no Twitter – e recomendo que sigam. Só nas primeiras 12 horas ele revelou que escreveu um argumento (não utilizad0) para O Império Contra-Ataca e que a sua versão de Footloose seria estrelada por Christopher Walken e inspirada em John Steinbeck.
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A história de Michael Cimino se confunde com o fim da Nova Hollywood. Toda a busca por independência, autoridade, paixão pelo cinema e pelo “fazer nós mesmos, pois somos os donos” que diretores como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Dennis Hopper e Robert Altman (e outros, claro) se empenharam em fazer no fim dos anos sessenta e início dos anos setenta foi jogado ribanceira abaixo por este homem que, como descrito numa entrevista a Steve Garbarino, da Vanity Fair, pode se passar por um rockstar andrógino.
Mas o fato é que se Cimino fosse de fato um andrógino, ninguém deveria ficar surpreso — esta especulação já foi feita, e negada por Cimino. No final da década de noventa, muito depois do cineasta ter fechado o último corte de seu Na Trilha do Sol (Sunchaser, 1994), um filme que permanece desconhecido e praticamente inacessível, mesmo com o advento da Internet como grande mídia atual, surgiu um rumor que Michael pudesse ser um travesti pré-operado. Após anos sem conceder entrevistas, ele foi a público e negou as acusações, pegando o lançamento de seu primeiro livro, Big Jane, como justificativa para sair da caverna.
Numa entrevista ao Independent, Cimino citou uma conversa que teve — supostamente — com Gore Vidal:
“‘Michael’, Gore disse, ‘eu acabei de ler que você fez uma operação de troca de sexo’”.
Logo embaixo, o repórter faz uma breve descrição da aparência de Michael Cimino: “Aos 62, Cimino parece um cruzamento entre um cowboy hipster e a sua tia gorda”.
Mas isto foi no tão distante ano de 2002. Mas mesmo agora, em 2012, nada parece ter mudado. Cimino foi e voltou. Nunca mais produziu nada, nunca mais falou nada. Sua última lufada no cinema foi a direção do segmento No Translation Need no filme-coletivo Cada Um com Seu Cinema. Um pouco antes, em 2005, Cimino foi convidado para dar uma master class em Turim, Itália. A aula foi acompanhada — é claro — por um jornalista; que não hesitou em fazer uma breve descrição das aparências do (ex?) cineasta: “Com botas e chapéu de cowboy, esta é a versão de 2005 de Michael Cimino”.
De fato, sempre parece ter havido mais interesse na aparência de Cimino do que em seu
próprio trabalho. Deve haver uma explicação: Ninguém se interessa pelos filmes dum fracassado megalomaníaco. As pessoas gostam de rir de quem fracassou, e o estilo semitravesti de Cimino é um prato cheio para elas. Tanto que até mesmo o caixa de uma lanchonete de beira de estrada que Cimino costuma frequentar dá seu pitaco, como vemos na supracitada entrevista de para a Vanity Fair: “Mais tarde, o caixa do Duke’s [Coffee Shop, a lanchonete de beira de estrada] aponta para uma foto na parede. ‘Michael vem aqui desde sempre’, ele diz, ‘e ele nunca se pareceu assim. Quando ele trouxe essa foto, eu perguntei ‘Quem é esse cara?’, e ele respondeu: ‘Sou eu!’”.
Só que além de exótico, Cimino é um autopropagandista que gosta de autopiedade, de forma que os outros pareçam sentir piedade por ele. Ademais, ele gosta que os outros se interessem por ele. Mas se eu ficar ponderando, nunca sairei do lugar.
Michael Cimino nasceu em Nova York. Até mesmo sua data de nascimento é uma incógnita. Nesta entrevista a Steve Garbarino (provavelmente a fonte mais completa e confiável sobre Cimino), uma fotocópia de seu passaporte aponta que o cineasta nasceu em 03 de fevereiro de 1952. Outras fontes dizem que ele nasceu em 1939 — e essas outras fontes são arquivos públicos.
Para todos os efeitos, a infância de Cimino parece ter sido brilhante. Nascido numa casa boêmia, o pai de Cimino era um homem mulherengo que trabalhava como editor de músicas, fornecendo cópias de músicas pop para órgãos tocarem nos intervalos de jogos de futebol americano. A mãe de Cimino era desenhista de roupas, e até onde sabemos, não manteve boa relação com o filho. Segundo Cimino, ela só soube que o filho estava famoso quando viu seu nome nas palavras cruzadas do New York Times.
Cimino descreve a si mesmo como um garoto “dotado de dons”, enquanto criança. Ele diz que poderia desenhar um retrato perfeito de alguém aos cinco anos. Apesar da sua cabeleira castanha nas fotos da época de O Franco Atirador (The Deer Hunter, 1978) e de O Portal do Paraíso (Heaven’s Gate, 1980), ele diz ter sido loiro até os doze anos de idade, e só voltou a esta coloração porque pagou “um desafio feito por uma namorada louca”. Continuar lendo →