O simples fato de este tal filme ser feito é apavorante. Sério, não se faz esse tipo de coisa sem nenhuma razão. Você já viu alguém ser satírico sem ser crítico ao mesmo tempo? Não, duvido. Não se faz sátira sem se fazer crítica – sátira por sátira é burrice.
Hoje estava navegando pelo blog do irreverente e ácido cronista Xico Sá (autor de ‘Chabadabadá’ e ‘Modas de Macho e Modinhas de Fêmea’), meu novo herói, quando me deparei com um texto singular: ‘Pede pra sair, favela-movie’.
Fiquei surpreso por dois motivos. Primeiro: Normalmente o Xico (com “X” mesmo, viu?) escreve seus textos voltando-se para o universo masculino – especialmente para aqueles homens machões; seus textos são salpicados de termos… hmmm… não muito jornalísticos. Por exemplo: O primeiro texto que li de sua autoria falava sobre a extinção daquele macho “de verdade”, que passava Minâncora, e que achava que desodorante era coisa de viado. Óbvio que não concordo com uma vírgula do que ele escreve – mas não posso negar que ri desesperadamente com as doidices que esse senhor escreveu.
Quando não, Sá escreve sobre a extinção das dentucinhas, de política. O mais interessante é que o estilo dele é tão bronco, tão cheio de piruetas, que a leitura torna-se um exercício constante para o maxilar: A gente ri, ri e ri. E como ri.
Voltando ao texto: Sá escreveu hoje sobre Totalmente Inocentes. Dirigido por Rodrigo Bittencourt, o filme pretende fazer uma brincadeira com o gênero de “filme-de-favela”. Sacou, né? Tropa de Elite, Cidade de Deus, Linha de Passe, etc., etc., etc.
A intenção é boa, admito. Eu sei que não é verdade o que 97% das pessoas pensam. Não, nem todo filme brasileiro fala sobre favela. Alguns falam sobre maridos e mulheres que, por mágica, trocam de sexo, outros falam sobre mulheres imaginárias, mas os mais notórios são esses de favela. Ou sobre assaltos. Aos bancos centrais. Não interessa, tem que ter crime, violência, galinha correndo – o cacete de asa. Continuar lendo
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